terça-feira, 5 de janeiro de 2021

No Ano de São José, o dom das Indulgências


O Decreto da Penitenciaria Apostólica oferece a possibilidade até 8 de dezembro de 2021 de receber Indulgências especiais ligadas à figura de São José, “chefe da celeste Família de Nazaré”. É dada especial atenção aos que sofrem neste momento de pandemia.



São José, um “tesouro” que a Igreja continua descobrindo. É a bela imagem contida no Decreto da Penitenciaria Apostólica, assinado pelo cardeal Mauro Piacenza, no qual é delineada a figura do “guardião de Jesus”. O Papa Francisco dedicou-lhe um Ano especial, 150 anos após sua proclamação como Padroeiro de toda a Igreja. Daí a decisão da Penitenciaria, de acordo com a vontade do Pontífice, de conceder a Indulgência plenária até 8 de dezembro de 2021 nas condições habituais: confissão sacramental, comunhão eucarística e oração de acordo com as intenções do Papa.

Meditar sobre São José


Participando do Ano de São José “com o espírito desprendido de qualquer pecado”, os fiéis poderão obter a Indulgência através de várias modalidades que a Penitenciaria enumera no Decreto.

 Quem meditar “por pelo menos 30 minutos a oração do Pai-Nosso”, ou participar de um retiro espiritual, mesmo por um dia “que inclui uma meditação sobre São José”, poderá se beneficiar deste dom especial. “São José, verdadeiro homem de fé, nos convida”, diz o Decreto, “a redescobrir nossa relação filial com o Pai, a renovar a fidelidade à oração, a ouvir e corresponder com profundo discernimento à vontade de Deus”.


A misericórdia no nome do “homem justo”


A Indulgência pode ser obtida realizando “uma obra de misericórdia corporal ou espiritual”, seguindo o exemplo de São José, “depositário do mistério de Deus”, que “nos exorta a redescobrir o valor do silêncio, da prudência e da lealdade no cumprimento de nossos deveres”. A virtude da justiça, praticada por José, é “lei da misericórdia” e é “a misericórdia de Deus que leva a verdadeira justiça ao cumprimento”.


A oração na família


Rezar o Terço em família e entre namorados é uma das formas de se obter este dom. São José foi o esposo de Maria, pai de Jesus e guardião da família de Nazaré. Ali floresceu a sua vocação. A esse propósito, a Penitenciaria Apostólica convida as famílias cristãs a recriar “a mesma atmosfera de comunhão íntima, de amor e oração que se vivia na Sagrada Família”.


Por um trabalho digno


Quem olhar para o “artesão de Nazaré” com confiança para encontrar um trabalho e para que ele seja digno para todos, poderá  obter a indulgência plenária, estendida também a quem “confiar seu trabalho cotidianamente à proteção de São José”. Em 1º de maio de 1955, Pio XII instituiu a festa do santo “com a intenção de que a dignidade do trabalho fosse reconhecida por todos e que inspirasse a vida social e as leis, com base na divisão justa dos direitos e deveres”.


Uma oração pela Igreja que sofre


O Decreto da Penitenciaria Apostólica prevê uma Indulgência “aos fiéis que rezarem a ladainha a São José (para a tradição latina), ou o Akathistos a São José, por inteiro ou pelo menos em parte (para a tradição bizantina), ou alguma outra oração a São José, própria das outras tradições litúrgicas”. Orações que sejam a favor “da Igreja perseguida ad intra e ad extra e pelo alívio de todos os cristãos que sofrem toda forma de perseguição” porque, lê-se no texto, “a fuga da Sagrada Família para o Egito nos mostra que Deus está onde o homem está em perigo, onde ele sofre, onde ele foge, onde vive a rejeição e o abandono”.


Um santo universal


Outras ocasiões para obter a Indulgência plenária dizem respeito a “qualquer oração legitimamente aprovada ou ato de piedade em honra a São José”, como por exemplo, explica a Penitenciaria, “A ti, ó Beato José”, especialmente “nas festas de 19 de março e 1º de maio, na Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José, no domingo de São José (segundo a tradição bizantina), no dia 19 de cada mês e toda quarta-feira, dia dedicado à memória do Santo, segundo a tradição latina”.

No decreto se lembra a universalidade do patrocínio de José à Igreja, relatando as palavras de Santa Teresa de Ávila que o considerava mais do que outros santos capaz de socorrer em muitas necessidades. “Uma atualidade renovada para a Igreja do nosso tempo, em relação ao novo milênio cristão”, é o que São João Paulo II evidenciava a respeito de José.

O conforto na pandemia


Especial atenção a quem sofre nesta emergência de coronavírus. O Decreto afirma que “o dom da Indulgência plenária é particularmente estendido aos idosos, aos doentes, aos agonizantes e a todos aqueles que por motivos legítimos não podem sair de casa”. Quem rezar “um ato de piedade em honra a São José, oferecendo com confiança a Deus as dores e dificuldades de sua vidas”, poderá receber este dom “com um espírito distante de qualquer pecado e com a intenção de cumprir, o mais rápido possível, as três condições habituais, em sua própria casa ou onde o impedimento os detém”. 

O papel dos sacerdotes


A exortação final é aos sacerdotes para que “se ofereçam com espírito disposto e generoso à celebração do Sacramento da Penitência e administrem frequentemente a Sagrada Comunhão aos enfermos”.


Por: Benedetta Capelli/Mariangela Jaguraba 

Fonte: Vatican News 


sábado, 13 de junho de 2020

15 pensamentos inspiradores de Santo Antônio

Santo Antônio foi considerado um grande pregador. Ele nos deixou um importante legado sobre fé e humildade

No dia 13 de junho, a Igreja celebra Santo Antônio, um dos santos mais queridos pela devoção popular. Natural de Lisboa (Portugal), onde nasceu a 15 de agosto de 1195, ele ficou conhecido também como Santo Antônio de Pádua, porque faleceu na cidade italiana, no dia 13 de junho de 1231. Em mais de oito séculos, Santo Antônio ganhou milhares de devotos no mundo inteiro, especialmente no Brasil, Portugal e Itália. Considerado grande pregador, deixou belas aulas de fé.

Separamos abaixo alguns de seus pensamentos, que podem ser fontes de inspiração para nossa vida cristã:


1. “A fé se compara ao peixe. Assim como o peixe é batido pelas frequentes ondas do mar, sem que morra com isso, também a fé não se quebra com as adversidades”;

2. “Quem está cheio das glórias do mundo se assemelha à bexiga que, cheia de vento, parece maior do que é; basta uma picadinha da agulha da morte e se verá o pouco que é”;

3. “Não é o temor que faz o servo nem é o amor que faz o livre; mas antes o temor é que faz o livre, o amor que faz o servo”;

4. “Em todo o corpo do homem, o diabo não encontra nenhum membro tão conveniente para ser caçado, para espiar, para enganar, como o coração, porque dele procede a vida”;

5. “Quanto mais profundamente lançares o alicerce da humildade, tanto mais alto poderás construir o edifício”;

6. “Jerusalém tinha uma porta chamada “Buraco da Agulha”, pela qual não podia entrar um camelo, porque era baixa. Esta porta é Cristo humilde, pela qual não pode entrar o soberbo ou o corcunda avarento. Aquele que pretende entrar por ela tem de se humilhar”;

7. “Maria não afugenta nenhum pecador, antes, recebe a todos os que se refugiam nela e, por isso, é chamada Mãe de Misericórdia: é misericordiosa para com os miseráveis, é esperança para os desesperados”;

8. “Feliz aquele que arranca de si o coração de pedra e toma um coração de carne, capaz de se doer compungido das misérias dos pobres, de modo que a sua compaixão lhe sirva de consolo e este consolo lhe dissipe a avareza”;

9. “Não poderás levar os fardos de outrem, se não depuseres primeiro os teus. Alivia-te primeiro dos teus, e poderás levar os fardos de outrem”;

10. “O que o Senhor faz em nós com a nossa cooperação é maior do que tudo o que faz sem nós”;

11. “A mentira reside na língua, o roubo na mão, as extorsões no coração”;

12. “O insensato, como um asno, ouve somente o som da palavra divina, mas o sábio percebe-lhe a força e leva-a ao coração”;

13. “A soberba, para não ser desprezada, procura encobrir-se na preciosa humildade”;

14. “Usa mais vezes os ouvidos do que a língua”;

15. “O hipócrita se assemelha ao pavão: ao ser provocado pelas crianças, mostra o esplendor das suas penas e, quando faz rodar a cauda, descobre torpemente o traseiro.”

Fonte:  franciscanos.org.br

sexta-feira, 12 de junho de 2020

O relacionamento de Maria e José e o seu namoro

Falar sobre o namoro hoje em dia pode ser bem complicado, porque estamos em meio a temas como o amor, as paixões, as virtudes, as escolhas da nossa vida e vários outros que, em geral, os jovens não se dão o tempo de pensar, mas, ao mesmo tempo, acham que entendem tudo. Isso gera uma mistura que pode ser perigosa. Por isso, é importante que os namorados se deem tempo para pensarem juntos, crescerem na fé, conhecer-se melhor, sem pular etapas que depois não podem mais voltar.
Apesar da distância no tempo, a relação de José e Maria certamente pode nos dar algumas luzes para essa experiência. Mas logo de partida, é preciso deixar claro que não sabemos como foi o namoro dos dois. O que nos conta a Bíblia é que Maria estava prometida a José. Depois, nos conta que antes do casamento, o Anjo aparece a Nossa Senhora, ela engravida do Espírito Santo, e José, depois de avisado em sonho, não teme recebe-la como esposa. Eles vão a Belém, onde nasce Jesus, depois fogem ao Egito por causa da perseguição e, mais tarde, vão para Nazaré, onde Jesus vai passar sua juventude em família. Até aqui, em poucas palavras, é o que sabemos da relação entre José e Maria.

Que luzes deste relacionamento podemos tirar para a vivência de um bom namoro?

Penso que a primeira delas é que todo namoro supõe um fim (finalidade, não término!), o casamento. Na época bíblica, muito diferente da atual, estar prometida era, justamente, saber que ia se passar o resto da vida com uma pessoa. O namoro não tem sentido se não for um tempo de preparação para dar um passo mais definitivo no noivado e no casamento. Às vezes, nesse tempo se percebe que a outra pessoa não é a certa e o namoro termina. Mas o ponto de partida não pode ser um simples “estamos namorando porque sim”. Precisa ser um “estamos namorando porque queremos nos conhecer melhor para poder no futuro fazer um compromisso maior”.

Continuando no sentido de conhecer-se melhor, é natural falar também sobre o sexo. Muitas vezes, se escuta falar que ter relações "ajuda, justamente, a conhecer-se melhor" para saber se é com essa pessoa que vamos passar o resto da vida. É doloroso que se pense assim. Maria e José não tiveram relações sexuais. Sabemos que Maria é virgem antes, durante e depois do parto de Jesus. E se nem os casais estão chamados a imitar esse ponto específico do matrimônio de José e Maria, isso deixa evidente que existe uma outra realidade, a espiritual, que, -sejamos sinceros - é bem negligenciada nos namoros de hoje.

O ato sexual é, sim, um momento de muita intimidade entre os dois, mas que, justamente para se chegar nele, é preciso que os dois passem por um caminho no qual decidam entregar-se um ao outro por toda a vida, de forma plena. E isso só acontece depois de muito amadurecimento.

Infelizmente, não sabemos muito sobre como Maria experimentou seu tempo de prometida a José. Nem sabemos como este via a questão de seu matrimônio com essa linda jovem. Mas se acreditamos que "bons frutos vêm de boas árvores", como nos diz a escritura, como não pensar que a relação de José e de Maria estava totalmente centrada em Deus e na disposição de cooperar para que seu próprio Filho pudesse se encarnar e vir ao mundo nos trazer a salvação?

Um namoro santo é a porta de entrada para um casamento santo e uma vida feliz!

Por: João Antônio Johas - Jovens de Maria Licenciando em Filosofia pela Universidade Católica de Petrópolis, Pós-graduando em Antropologia Cristã pela Universidade Católica San Pablo em Arequipa, Peru.

quarta-feira, 10 de junho de 2020

Festa de Corpus Christi: memorial do corpo e sangue do Senhor

A festa do Corpo de Cristo tem uma longa história. No final do século XIII em Liège, na Bélgica, havia um grande movimento eucarístico. S. Juliana teve a inspiração de fazer uma festa para o Santíssimo Sacramento. O Papa Urbano IV, quando era padre, era seu orientador. Ele instituiu a festa para toda a Igreja.

Não podemos dizer que perdemos o fervor antigo, só porque não fazemos como antigamente. Atualmente, estamos mais voltados para a Eucaristia como um todo, no qual o Sacrifício e o Sacramento estão unidos. O Santíssimo Sacramento não é um santo a mais. 

Por outro lado, perdeu-se muito do sentido da presença de Jesus na Eucaristia. Há muito a se recuperar. Se Ele está ali sob as espécies de pão e vinho, deve ser reconhecido e adorado. É o mesmo Cristo que recebemos na Eucaristia e trazemos em nós depois da comunhão. Somos sacrários vivos da Eucaristia. Estamos, assim, unidos à Páscoa de Jesus.

Rezamos na oração da missa: “Neste admirável Sacramento, nos deixastes um memorial de vossa Paixão”. Memorial não é somente uma lembrança, mas atuação da presença Daquele que nos salvou em seu Mistério Pascal. Lemos como Deus alimentou seu povo com o pão do Céu e fez tantas maravilhas para seu povo.

Paulo nos ensina que o vinho é o Sangue de Cristo e o pão é seu Corpo. Por eles, entramos em comunhão com Cristo e todos formamos um só corpo, pois participamos do único Pão. Este memorial não é só uma lembrança, mas é sinal da Salvação.

Na celebração eucarística, se anuncia a Morte e Ressurreição do Senhor para a vida do mundo. A fome do mundo mostra que ainda celebramos mal.


Comer a carne 

O capítulo VIº do Evangelho de São João narra, de modo estupendo, o ensinamento sobre a Eucaristia. Entre os grandes sinais que nos levam à fé, está o Pão da Vida. Primeiro, fez o milagre da multiplicação dos pães. É a explicação do que vai ensinar. O ponto de partida é crer “Naquele que Deus enviou”. A prova que Deus O enviou é o Pão do Céu.

Moisés deu o maná. Jesus afirma: Eu sou o Pão do Céu. Quem crê, tem a vida eterna. Cremos em Jesus, que é o Pão do Céu. Quem come deste Pão tem a vida eterna. O Pão é sua carne dada para a vida do mundo. Na Ceia Jesus toma o pão e diz: Isto é o meu corpo... Tomando o cálice de vinho, diz: Isto é meu sangue (Mt 26, 26-29). João coloca sob o prisma da Páscoa. Os judeus se escandalizaram e se afastaram.

Pedro professa a fé: “A quem iremos? Só Tu tens palavras de vida eterna e nós cremos que és o Santo de Deus” (68). Comer a carne de Cristo na Eucaristia é ato de fé que nos leva a buscar o Pão da Vida para recebê-Lo em nós e nos transformarmos Nele. Jesus escolheu o pão para simbolizar como se realiza esta transformação. O pão não é um símbolo vazio, mas o Corpo do Senhor. Assim ensina a fé cristã. O pão e o vinho consagrados são o Corpo e Sangue de Jesus.


Sustento na caminhada 

Celebrando este Memorial, também na adoração deste mistério, recebemos os frutos da redenção. Jesus é adorado e recebido para entrarmos em comunhão com Ele. Quanto mais conheço Jesus, mais o busco na comunhão. Por ela, entro em comunhão também com os irmãos e me disponho a gerar comunhão com todos.

Dizemos que somos sacrários vivos da Eucaristia, pois O levamos aos outros, e assumimos sua vida, que veio para dar vida. Se não dermos vida, ainda não aprendemos a comungar.

Celebrar a festa de Corpus Christi é reconhecer sua presença na Eucaristia e mostrar exteriormente que cremos em sua presença. Esta fé nos leva a reconhecer sua presença nos outros.

Por: Padre Luiz Carlos de Oliveira, C.Ss.R.
                  Missionário Redentorista

domingo, 7 de junho de 2020

Solenidade da Santíssima Trindade

A Solenidade que hoje celebramos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de “um Deus em três pessoas”; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família.

A Solenidade da Santíssima Trindade, Deus que é comunidade de amor. Deixemo-nos envolver por este mistério e manifestemos ao Senhor a nossa fé, a qual é alimentada por sua graça eficaz. A Solenidade que hoje celebramos não é um convite a decifrar o mistério que se esconde por detrás de “um Deus em três pessoas”; mas é um convite a contemplar o Deus que é amor, que é família, que é comunidade e que criou os homens para os fazer comungar nesse mistério de amor.
Na primeira leitura(cf. Ex 34,4b-6.8-9), o Deus da comunhão e da aliança, apostado em estabelecer laços familiares com o homem, auto-apresenta-Se: Ele é clemente e compassivo, lento para a ira e rico de misericórdia. A primeira leitura revela que Deus é Pai misericordioso, paciente, não age com precipitação, sabe esperar, dá sempre um prazo esperançoso a cada um de nós para nossa conversão, é rico em bondade, nunca se irrita conosco, tolera nossas misérias, dá coragem e força para enfrentarmos os desafios do dia a dia e jamais não abandona, por pior que seja o pecado que tenhamos cometido, está sempre disposto a perdoar diante de um arrependimento sincero. Deus é sempre fiel e trata-nos como filhas e filhos muito amados.

Na segunda leitura(cf. 2Cor 13,11-13), São Paulo expressa - através da fórmula litúrgica “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco” - a realidade de um Deus que é comunhão, que é família e que pretende atrair os homens para essa dinâmica de amor. A segunda leitura continua revelando quão amoroso é nosso Deus. Quando o ser humano dispensou Deus de sua vida pensando que poderia subsistir sozinho, distanciou-se dele, fugiu de sua intimidade, rejeitou sua amizade, tornou-se indiferente a Deus e, como consequência, perdeu-se totalmente, vendo-se sem esperança de salvação. Mas Deus mostrou que sempre esteve próximo e, para resgatar o homem, saiu ao seu encontro por Jesus Cristo, seu Filho, para lhe oferecer amizade, amor, comunhão e salvação.

No Evangelho(cf. Jo 3,16-18), João convida-nos a contemplar um Deus cujo amor pelos homens é tão grande, a ponto de enviar ao mundo o seu Filho único; e Jesus, o Filho, cumprindo o plano do Pai, fez da sua vida um dom total, até à morte na cruz, a fim de oferecer aos homens a vida definitiva. Nesta fantástica história de amor (que vai até ao dom da vida do Filho único e amado), plasma-se a grandeza do coração de Deus. O Evangelho revela-nos outra verdade inimaginável: o amor de Deus é também uma pessoa, o Espírito Santo que nos restaura e santifica para podermos viver eternamente com Deus. Deus nunca fechou e jamais fechará as portas de seu coração, de sua amizade, mas respeita nossa opção; ele não obriga nenhuma de seus filhos a voltar para casa; viver eternamente com Ele ou, então, desterrados fora da nossa verdadeira e definitiva casa, depende de nós. Sabemos quem é nosso Deus, mas não basta um conhecimento teórico, não basta saber coisas sobre Ele e falar dele; isso ainda não é fé. É necessário entrar em contato com Deus, conversar com Ele pela oração; ter abertura para Deus, escutá-lo, “encharcar-se” com sua Palavra nas Sagradas Escrituras e responder a Ele amando concretamente as pessoas, começando com aquelas com as quais convivemos, porque Deus as ama e somos todos seus filhos e filhas.

Por: Dom Eurico dos Santos Veloso - Arcebispo Emérito de Juiz de Fora, MG

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Liturgia e Vida: O Significado do Tempo Comum

Na liturgia, celebramos a vida de Cristo desde as promessas do Messias: sua Encarnação no seio da Virgem Maria, passando pelo seu Nascimento, Paixão, Morte, Ressurreição até a sua Ascensão e a vinda do Espírito Santo. Mas enquanto civilmente se comemoram fatos passados que aconteceram uma vez e não acontecerão mais, (embora muitos desses fatos influenciem a nossa vida até os dias de hoje), no Ano Litúrgico, além da comemoração, vivemos na atualidade, no dia-a-dia de nossa vida todos os aspectos da salvação operada por Cristo. 

A celebração dos acontecimentos da Salvação é atualizada, tornada presente na vida atual dos crentes. Na liturgia, celebramos a vida de Cristo desde as promessas do Messias: sua Encarnação no seio da Virgem Maria, passando pelo seu Nascimento, Paixão, Morte, Ressurreição até a sua Ascensão e a vinda do Espírito Santo. Mas enquanto civilmente se comemoram fatos passados que aconteceram uma vez e não acontecerão mais, (embora muitos desses fatos influenciem a nossa vida até os dias de hoje), no Ano Litúrgico, além da comemoração, vivemos na atualidade, no dia-a-dia de nossa vida todos os aspectos da salvação operada por Cristo. A celebração dos acontecimentos da Salvação é atualizada, tornada presente na vida atual dos crentes.

O Ano Civil ocidental começa em 1º de Janeiro e termina em 31 de Dezembro. Já o Ano Litúrgico começa no 1º Domingo do Advento (cerca de quatro semanas antes do Natal) e termina no sábado anterior a ele. Podemos perceber, também, que o Ano Litúrgico está dividido em “Tempos Litúrgicos”. O Ano Litúrgico da Igreja é assim dividido: Advento, Tempo do Natal, Tempo Comum (1), Tempo Quaresmal, Tempo Pascal e Tempo Comum (2). Além dos tempos, que têm características próprias (Advento, Natal, Quaresma e Páscoa), restam no ciclo anual trinta e três ou trinta e quatro semanas nas quais são celebrados, na sua globalidade, os Mistérios de Cristo, que chamamos Tempo Comum durante o ano.

Com a semana que segue à Festa do Batismo de Jesus, inicia-se o chamado Tempo Comum do ano litúrgico. O Tempo Comum celebra o “mistério”, na sua globalidade. Realiza isso pela constante referência à Páscoa, que caracteriza os domingos, assim acompanhando e orientando o caminho pascal do povo de Deus, no seguimento de Jesus, rumo ao cumprimento da história.

O Tempo Comum pode nos levar a refletir sobre a espiritualidade desse tempo do ano e sobre o sentido do tempo como dom de Deus. Chama-se “tempo comum” para distinguir dos demais momentos. No Ano Litúrgico, como em nossa vida, existem tempos fortes de festa e tempos ordinários, comuns. Mas, como fazer com que no Tempo Comum não caiamos em tempo de rotina? Primeiramente, devemos alimentar nossa vida naquela fonte rica dos tempos fortes que celebramos. Cristo quer encarnar-se cada dia através dos tempos.
Outra maneira de valorizar e superar a rotina do Tempo Comum é encontrar o extraordinário no comum. Como no Ano Litúrgico, em nossa vida nem sempre existem grandes acontecimentos. Importa aproveitarmos as menores coisas para aí detectarmos as coisas grandes, as realidades permanentes e eternas. Iluminados e fortificados pelo Espírito, podemos viver, na monotonia e na rotina do dia-a-dia, o mistério pascal de morte e vida. As grandes coisas que propusemos serão coisas grandes quando feitas com amor.
Atualmente, esse tempo na liturgia é dividido em 3 anos, com suas leituras próprias. Neste ano, ano “C”, o evangelho dominical é principalmente o de São Lucas.
O Tempo Comum nos leva a valorizar o tempo que Deus nos concede. Os grandes e os pequenos acontecimentos são percebidos no tempo e, por outro lado, os acontecimentos nos fazem perceber o tempo. O Tempo Comum nos convida a entrar no mistério das grandes pequenas coisas. É fácil deixar-se inebriar pelas grandes festas que costumam deixar uma gota de amargor. Difícil é fazer com que as pequenas coisas e pequenos acontecimentos se tornem eloquentes. O raiar do dia será cada novo dia se vivermos o seu significado, se for um encontro com o sol da vida, Jesus Cristo. O trabalho mais despretensioso e oculto será um evocar a maravilhosa capacidade do homem de dominar a terra, participando do poder criador do próprio Deus.
Que o Tempo Comum na experiência semanal da Páscoa pela celebração do Domingo nos proporcione mais tempo para a reflexão sobre as coisas mais ordinárias do dia-a-dia, levando-nos a descobrir e a viver os acontecimentos antes de tudo em nós mesmos. O Tempo Comum nos fará compreender que nossa vida espiritual é um processo lento e gradual.
Autor:  Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro
Fonte:  http://arqrio.org/

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Maria Mãe na Igreja: Entenda o sentido da solenidade de hoje

Na primeira segunda-feira após Pentecostes, a Igreja celebra a memória da Virgem Maria Mãe da Igreja, um título que tem raízes profundas, e que foi inserido no Calendário Litúrgico em 2018, por desejo do Papa Francisco.

Nesta Solenidade, elevemos “nosso pensamento a Maria. Ela estava lá, com os apóstolos, quando veio o Espírito Santo, protagonista com a primeira comunidade da admirável experiência de Pentecostes, e rezemos a ela para que obtenha para a Igreja o ardente espírito missionário”.
Nestas palavras proferidas no domingo no Regina Coeli, quando reencontrou os fiéis na Praça de São Pedro, o Papa Francisco enfatizou a estreita ligação entre o Espírito e Maria, entre a Solenidade do Pentecostes, portanto, e a memória de hoje da Bem-aventurada Virgem Maria Mãe da Igreja.
O Espírito Santo é a alma da Igreja e Maria sua esposa. A Igreja é o corpo místico de Cristo, Maria é a Mãe de Jesus que ele mesmo confia no alto da Cruz, a João, confiando ao mesmo tempo o apóstolo a Maria.

O decreto que instituiu a memória que a Igreja celebra hoje

A memória que é celebrada nesta segunda-feira foi inserida no Calendário Romano em 21 de maio de 2018, por desejo do Papa Francisco.
No Decreto “Ecclesia Mater” da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, divulgado em 3 de março de 2018, mas com data de 11 de fevereiro de 2018, fica estabelecido que a recorrência seja celebrada na segunda-feira após Pentecostes, com o objetivo de “favorecer o crescimento do senso materno da Igreja nos pastores, religiosos e fiéis, bem como da genuína piedade mariana”.
“Esta celebração nos ajudará a recordar que, para crescer, a vida cristã deve estar ancorada ao mistério da Cruz, à oblação de Cristo no banquete Eucarístico, a Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos remidos”, lê-se no documento. De fato, a união de Maria com Cristo culmina na hora da Cruz, quando Maria acolhe a vontade do Filho e aceita, num certo sentido perdendo-o, de se tornar Mãe de toda a humanidade.

A maternidade de Maria e a maternidade da Igreja

“Todas as palavras de Nossa Senhora são palavras de mãe”, desde o momento da “Anunciação até o fim, ela é mãe”. O Papa Francisco o havia dito na Casa Santa Marta, na primeira Missa celebrada em memória da Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, em 21 de maio de 2018.  E explicava como os Padres da Igreja haviam entendido que a maternidade de Maria era a maternidade da Igreja.
Ao salientar a dimensão feminina da Igreja e também a importância da mulher, afirmou: “Sem a mulher a Igreja não vai em frente, porque ela é mulher, e essa atitude da mulher vem de Maria, porque Jesus assim o desejou”.
Naquela ocasião, Francisco indicou a ternura como aquela atitude materna que deve distinguir a Igreja, acrescentando: “também uma alma, uma pessoa que vive essa pertença à Igreja, sabendo que também é mãe, deve seguir o mesmo caminho: uma pessoa mansa, humilde, terna, sorridente, cheia de amor”.

As raízes profundas do título de Maria Mãe da Igreja

Se o título de Maria Mãe da Igreja tem raízes nos primeiros tempos do cristianismo – e já está presente no pensamento de Santo Agostinho e São Leão Magno, no Credo de Nicéia de 325, e já os Padres do Concílio de Éfeso (430) haviam definido Maria como “verdadeira mãe de Deus” – ele retorna ao Magistério de Bento XIV e Leão XIII.
Mas foi o Papa Paulo VI, no final da terceira sessão do Concílio Vaticano II, em 21 de novembro de 1964, a declarar a Bem-Aventurada Virgem “Mãe da Igreja, isto é, de todo o povo cristão, tanto dos fiéis como dos pastores que a chamam de Mãe amantíssima”.
Mais tarde, em 1980, João Paulo II inseriu nas Ladainhas Lauretanas a veneração a Nossa Senhora como Mãe da Igreja, até chegar o Decreto desejado pelo Papa Francisco que, na memória de um ano atrás, em 10 de junho de 2019, escreveu em um tweet que continua atual: “Maria, mãe da Igreja, ajuda-nos a entregar-nos plenamente a Jesus, a crer no seu amor, sobretudo nos momentos de tribulação e de cruz, quando nossa fé é chamada a amadurecer”.
Por: Adriana Masotti - Cidade do Vaticano